Intercâmbio para que?
O intercâmbio é um período que passa de um ano. Dividiria, bem superficialmente, o intercâmbio em 3 fases: antes, durante e depois. Cada uma dessas partes possuem suas divisões também.
Trabalhar como Diretor de Outbounds dá a possibilidade enorme de ter o contato com as pessoas nessas 3 fases. Como temos contato com os candidatos desde a primeira prova até o churrasco de rebounds, podemos perceber o processo de mudança pelo qual o outbound percorre.
Para não prolongar muito,vou direto ao ponto que gostaria de tratar neste texto: a escolha de países.
A Expro promoverá neste dia primeiro de Junho a escolha de países.E este é um momento delicadíssimo,e,obviamente,decisivo no intercâmbio do candidato.Afinal, é a escolha do país em que ele vivenciará o seu ano de intercâmbio.
Conversando há muito tempo com candidatos,outbounds,rebounds e Rotex, a escolha do país é um tema freqüente.Não só os candidatos do Brasil,como os que estão no exterior e pretendem vir ao Brasil,ou que já estão aqui vivendo seu ano fora de casa. E surge aquela velha pergunta: “Mas por que este país?”
Vou, brevemente, contar o motivo pelo qual escolhi a Dinamarca. Me perguntam “Por que Dinamarca?” e lhes respondo : “Por isso mesmo”. Como assim? Eu queria um país um pouco fora dos mais comuns, e na época a minha intenção era viajar à Europa. E quando falam dos países da América do Sul (Argentina, Colômbia, Venezuela), eu peço maior cautela. Isto porque, na maioria das vezes, é para dizer que não vale a pena, ou vale menos a pena que um país na Europa,Oceania ou América do Norte.
Muitos já me falam “Mas você foi pra Europa”. Sim, uma das minhas intenções não era diferente da grande maioria das pessoas. Mas na hora da escolha, eu tinha a possibilidade de escolher Bélgica, Alemanha . . . e a última vaga da Dinamarca foi minha. E aí está: Dinamarca.
Fui criticado por alguns amigos (e pais de amigos) pelo fato da Dinamarca ser um país de língua dinamarquesa. “Por que não Alemanha?Você poderia conseguir um bom emprego com o conhecimento da língua alemã”,perguntavam. Oras!Será que tudo na vida temos que escolher pela vida profissional?Não posso eu escolher um país que pode me trazer grandes conhecimentos culturais que não seja a língua?
Tive sorte de meus pais me apoiarem com qualquer país que escolhesse. Não ficaram me falando que eu deveria ter escolhido tal ou tal país. Aliás, para lhes confirmar que eu realmente não sabia absolutamente nada do país, meu pai que me mostrou a Dinamarca no mapa mundial. Eu mal sabia que ela era vizinha da Alemanha, fazia parte dos escandinavos. A única vez que ouvi falar de Dinamarca foi por causa dos vikings e time de futebol de 1900 e bolinhas.
Caros candidatos: Acredito eu que ousar, não ter medo das escolhas são, ao contrário do que muitos pensam, benéficos. Ousem, acreditem em si e nas suas escolhas. Qualquer país é válido. Repito: QUALQUER. Converso com gente que está na América do Sul e está super feliz, aprendendo muito. Converso com gente que está nos EUA e não iria pra nenhum outro lugar. Converso com gente que está na Ásia (Tailândia,Indonésia,Índia) e está aprendendo muito. Converso com gente que está em todo o canto do mundo,e posso dizer com a absoluta certeza: Não há país melhor que outro.Todos são extremamente válidos, independente da língua falada ou situação financeira do país.
Caros pais: Espero que respeitem este momento especial do seu filho(a). Apóiem a escolha,seja ela qual for. Podem dar opinião, mas deixem claro que é uma opinião. Não pressionem seus filhos, eles ainda são novos.
É um apelo que faço pelo que ouço muito de candidatos e pais. O intercâmbio tem função de uma troca cultural, um aprendizado enorme, independente do futuro profissional do candidato. Mas se a vida profissional ainda for um fator muito forte na escolha, posso lhes assegurar que o fato de fazer intercâmbio em um país como Alemanha não tornará a pessoa melhor do que se ela for para Argentina. Por outro lado, fazer um intercâmbio em um lugar que não quer, ou que é constantemente criticado pela escolha, fará a pessoa menos feliz e mais conturbada.
Afinal de contas, qual é o intuito do intercâmbio?
Maurício Naoki Segoshi
Diretor de Outbounds (até Julho de 2008)
Por um ano fazendo intercâmbio na Dinamarca.
Por um mês em uma casa de família no Peru.
Por três meses trabalhando nos EUA.
Críticas,dúvidas, mande um e-mail:
mauricio@rotex.com.br
4 comentários 14 de Maio de 2008 às 21:38 Mauricio